
Um médico graduado fora da França que apresenta um número Adeli de nove dígitos não prova muito. Desde a generalização do RPPS para as profissões médicas, o identificador Adeli não é mais atribuído aos novos inscritos na Tabela da Ordem. A simples presença de um código de nove dígitos, sem correspondência com a Tabela do CNOM, constitui um sinal de alerta sobre a regularidade do exercício.
Transição RPPS e fim da atribuição Adeli para médicos estrangeiros
Desde 2023, todo médico titular de um diploma obtido em um Estado membro da UE ou do EEE que recebe uma autorização de exercício na França é inscrito diretamente no RPPS pelo Conselho dos Médicos. O registro Adeli não lhe atribui mais um número. Apenas os profissionais registrados antes dessa transição mantêm um identificador Adeli histórico.
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Essa distinção tem uma consequência prática direta: um médico estrangeiro que chegou recentemente e que exibe um número Adeli sem constar no RPPS apresenta uma incoerência documental. Recomendamos tratar esse caso como um indicador de risco de exercício ilegal, e não como um simples desvio administrativo.
Para verificar o número Adeli de um médico estrangeiro, o ponto de partida continua sendo a interseção entre o diretório do CNOM e a base RPPS, e não a simples consulta a um código de nove dígitos.
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Diretório do CNOM: o registro de referência antes de qualquer verificação Adeli
A Tabela da Ordem dos Médicos, acessível através do diretório público do Conselho Nacional da Ordem (CNOM), constitui a fonte primária de verificação do direito de exercer. Um médico ausente da Tabela não pode exercer legalmente na França, independentemente do identificador que apresente.

O diretório do CNOM exibe o nome, o sobrenome, a especialidade, o local de exercício e o número RPPS. Se o profissional aparece nessa base, seu direito de exercício é confirmado pela Ordem. Se o profissional não estiver lá, mas apresentar um número Adeli, a verificação deve imediatamente ser encaminhada à ARS do departamento de exercício declarado.
O registro Adeli, gerido pelas ARS, lista as profissões de saúde ainda não transferidas para o RPPS (psicólogos, nutricionistas, ortoptistas). Para um médico, Adeli não tem mais valor de registro ativo. Observamos que a confusão persiste em muitos estabelecimentos, onde os serviços de RH continuam a solicitar um “número Adeli” aos profissionais estrangeiros por hábito.
Controle documental estruturado para um profissional com diploma estrangeiro
A verificação de um médico estrangeiro não se limita a um identificador. Os estabelecimentos de saúde estão cada vez mais se apoiando em um controle documental em várias etapas, combinando a base RPPS com a análise dos documentos justificativos de autorização de exercício.
Aqui estão os elementos a serem cruzados sistematicamente:
- A presença do profissional no diretório público do CNOM, com um número RPPS ativo e uma especialidade coerente com o cargo ocupado.
- A autorização individual de exercício emitida pelo ministério da Saúde (DGOS), documento obrigatório para os graduados fora da UE/EEE que exercem na França.
- A correspondência entre o diploma apresentado, o país de emissão e o procedimento de autorização seguido (comissão de autorização de exercício ou reconhecimento automático para diplomas da UE).
- Se necessário, a verificação junto à ARS do departamento para os profissionais cuja inscrição Adeli é anterior à transição RPPS.
Esse protocolo de verificação se aplica tanto a contratações quanto a substituições. Um médico estrangeiro em exercício temporário (substituição liberal ou interinato hospitalar) deve constar na Tabela com uma menção de sua situação.
Casos concretos de discordância entre número Adeli e direito de exercer
Três configurações aparecem regularmente nos relatórios tratados pelas ARS e pelos Conselhos departamentais.
Primeiro caso: um profissional apresenta um número Adeli autêntico, atribuído há vários anos, mas sua inscrição na Tabela foi suspensa ou cancelada desde então. O número Adeli não reflete uma suspensão ordinal. As duas bases não estão sincronizadas em tempo real, o que cria um desvio explorável.
Segundo caso: o número de nove dígitos é fabricado. O formato Adeli (dois primeiros dígitos correspondendo ao departamento, seguidos de sete dígitos) é suficientemente previsível para que um falso pareça credível a olho nu. Apenas uma consulta à base da ARS ou do RPPS permite detectar a fraude.
Terceiro caso: o profissional possui uma autorização de exercício válida, mas nunca finalizou sua inscrição ordinal. Ele pode ter um número RPPS provisório sem constar na Tabela. Essa situação, comum entre profissionais com diploma fora da UE no início de sua trajetória, não constitui fraude, mas expõe o estabelecimento empregador a um risco jurídico.

Ferramentas de verificação RPPS e diretório de saúde na prática
O diretório de saúde, acessível no portal da Agência do Digital em Saúde, permite uma busca por nome, sobrenome ou número RPPS. Para as profissões ainda registradas em Adeli, a busca por número ainda é possível, mas os resultados não garantem o direito de exercer atual.
Nos estabelecimentos, o controle automatizado do RPPS através dos softwares de gestão de RH está se generalizando. Essas ferramentas consultam a base nacional e reportam as incoerências (número inativo, especialidade não correspondente, ausência de inscrição ordinal). Para as estruturas que não dispõem desse tipo de interface, o procedimento manual permanece o seguinte:
- Pesquisar o profissional no diretório do CNOM por nome e sobrenome.
- Verificar a correspondência do número RPPS com os documentos apresentados (cartão CPS, atestado de inscrição ordinal).
- Em caso de dúvida, contatar diretamente a ARS ou o conselho departamental da Ordem para confirmar o status.
O cartão CPS (cartão de profissional de saúde) contém o número RPPS e atesta a identidade digital do profissional. Um médico estrangeiro autorizado a exercer recebe esse cartão após a inscrição ordinal. A ausência de cartão CPS em um médico em exercício justifica uma verificação imediata.
O número Adeli, no caso dos médicos, pertence agora a um registro em vias de extinção. Confiar apenas nesse identificador para validar o direito de exercício de um profissional estrangeiro é como consultar um diretório desatualizado. A interseção RPPS, Tabela da Ordem e documentos de autorização continua sendo o único método confiável.